Mário de Andrade, moderno descobridor
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Em uma particular leitura de sua obra, procuramos sublinhar o lugar de produção privilegiado por ele, os diálogos que estabelece com outros produtores intelectuais de sua geração; os conceitos que constrói para definir uma identidade para o Brasil e para os brasileiros; os registros que utiliza para estabelecer sua "cartografia" do Brasil; e o campo intelectual em que atua, reinventando a "cultura" brasileira.

Moderno, Mário de Andrade parte da "Paulicéia desvairada" em busca de Minas colonial. Da "Arte religiosa no Brasil" e da "viagem da descoberta do Brasil" parecem emergir o "patrimônio" maior de nossa "tradição". Mas não é apenas isso. Máquina kodak a tiracolo, o "empalhador de passarinhos" se transmuta em "turista aprendiz" que percorre outros caminhos e sertões, fixando em imagens as tensões entre modernidade e tradição. Construtor da memória brasileira, faz do Serviço do Patrimônio Histórico Nacional sua principal cidadela intelectual.

Entre os monumentos que nos deixou Mário de Andrade, sem dúvida estão Macunaíma, os vários textos de suas "viagens etnográficas" consolidados em O turista aprendiz bem como as fotografias com as quais documentou e recriou algumas de suas viagens. Sem deixar de lembrar de seus ensaios sobre arte e folclore, o "Texto introdutório" ao levantamento sobre folclore publicado no Manual bibliográfico de estudos brasileiros organizado por Rubem Borba de Morais e William Berrien e de seu vastíssimo epistolário. Estas obras são aqui tomadas como algo análogo, no plano metafórico, aos diários de bordo dos antigos descobridores, uma vez que nelas é possível identificar roteiros, condições e metas de seus particulares "descobrimentos do Brasil".



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